terça-feira, 30 de novembro de 2021

SEGUNDA ONDA DE PANDEMIA DE 1918 TEVE CONSEQUÊNCIAS BEM MAIS GRAVES

Pesquisadores das universidades de Zurique (Suíça) e Toronto (Canadá) descobriram que, no caso de uma pandemia, reações tardias e uma abordagem descentralizada pelas autoridades no início de uma onda subsequente podem levar a consequências mais duradouras, mais graves e mais fatais. A equipe interdisciplinar comparou a gripe espanhola de 1918 e 1919 no cantão (unidade federativa da Suíça) de Berna com a pandemia de coronavírus de 2020. Seu estudo foi apresentado em artigo na revista “Annals of Internal Medicine”.

© Membros do Exército suíço no hospital de Olten durante o período da gripe de 1918. Crédito: Arquivo ...

A gripe espanhola foi a maior catástrofe demográfica da história recente da Suíça. Ela causou cerca de 25 mil mortes no país durante 1918 e 1919. Na esteira da atual pandemia de coronavírus, houve um aumento do interesse público e científico pelos eventos daquela época.

Uma equipe interdisciplinar de pesquisadores dos campos de medicina evolutiva, história, geografia e epidemiologia das universidades de Zurique e Toronto passou vários anos analisando dados históricos sobre a propagação de doenças semelhantes à gripe durante 1918 e 1919 no cantão de Berna. O cantão é ideal para um estudo de caso suíço. Isso se explica porque tal cantão, grande e com uma paisagem diversificada, foi atingido de maneira particularmente forte pela gripe espanhola. Logo no início da pandemia, em julho de 1918, introduziu a obrigação de relatar casos.

Medidas eficazes na primeira onda

Os resultados do novo estudo mostram que a propagação da gripe espanhola difere dependendo da região. Na primeira onda, em julho e agosto de 1918, o cantão de Berna interveio de maneira relativamente rápida, forte e central. Ele inclusive restringiu reuniões e fechou escolas.

“Vemos pelos números que essas medidas – semelhantes às de hoje – estavam associadas a uma diminuição no número de infecções”, disse o coautor Kaspar Staub, do Instituto de Medicina Evolutiva da Universidade de Zurique. Depois que a primeira onda diminuiu, o cantão suspendeu totalmente todas as medidas em setembro de 1918, o que levou a um rápido ressurgimento de casos e ao início de uma segunda onda depois de pouco tempo.

No início da segunda onda, em outubro de 1918, o cantão de Berna reagiu hesitantemente, ao contrário da primeira onda. Temendo novas consequências econômicas, as autoridades cantonais deixaram a responsabilidade por novas medidas para cada município por várias semanas. “Essa abordagem hesitante e descentralizada foi fatal e contribuiu para o fato de que a segunda onda se tornou ainda mais forte e durou mais tempo”, disse o coprimeiro autor Peter Jueni, da Universidade de Toronto.

Além disso, logo após o pico da segunda onda, em novembro de 1918, houve uma greve nacional com manifestações sobre questões sociais e trabalhistas e, o mais importante, maiores deslocamentos de tropas. Essas reuniões em massa, bem como o subsequente relaxamento da proibição de encontros quando o número de casos ainda era muito alto, foram acompanhadas por um ressurgimento significativo de infecções. No final das contas, cerca de 80% das doenças e mortes relatadas foram atribuídas à segunda onda.

A história se repete em 2020

Ao compararem as contagens semanais de casos de gripe espanhola e coronavírus, os pesquisadores descobriram que a segunda onda começou quase na mesma semana em 1918 e 2020, e a resposta oficial atrasada foi semelhante. “Embora ainda existam diferenças consideráveis ​​entre as duas pandemias, os paralelos cada vez maiores entre 1918 e 2020 são notáveis”, diz Staub. O estudo também mostra que o conhecimento empírico de pandemias anteriores – por exemplo, sobre os desafios de como lidar com ondas subsequentes – está disponível.

“Desde novembro de 2020, as mortes por covid-19 ultrapassaram em muito as causadas por câncer ou doenças cardiovasculares”, acrescenta Jueni. “Por cerca de três meses, elas têm sido a causa mais comum de morte na Suíça. Em vista da alta taxa de mortalidade durante a segunda onda em comparação com outros países, e com a ameaça de uma terceira onda devido às mutações dos vírus do Reino Unido, da África do Sul e do Brasil, as lições do passado podem ajudar as autoridades e o público a repensar a sua resposta.”

O estudo foi baseado em registros nos Arquivos de Estado de Berna de casos de doenças semelhantes à influenza por município e região, conforme relatado semanalmente por médicos às autoridades cantonais. “Esses registros são um verdadeiro tesouro e um grande exemplo de como os dados com mais de 100 anos podem ser relevantes hoje”, diz Staub.

Em 2015, a equipe de pesquisa começou a transcrever os mais de 9 mil relatórios médicos com mais de 120 mil casos de gripe em 473 municípios do cantão de Berna entre junho de 1918 e junho de 1919. Eles então analisaram os dados usando métodos epidemiológicos modernos e reconstruíram as medidas tomadas em nível cantonal no sentido de prevenir a propagação da pandemia para criar um quadro geral.

FONTE: Segunda onda da pandemia de 1918 teve consequências bem mais graves (msn.com)


domingo, 21 de novembro de 2021

VERSÃO SOVIÉTICA DE "O SENHOR DOS ANÉIS" VIRA CULT EM DESCOBERTA NO YOUTUBE

 
                        © Divulgação/Warner

Uma versão russa e pouco conhecida de “O Senhor dos Anéis”, produzida para a televisão soviética dos anos 1990, ganhou status de cult ao ser descoberta no YouTube nas últimas semanas. Baseado em “A Sociedade do Anel”, primeiro livro da trilogia de J.R.R. Tolkien, o filme chamado “Khranitel” (“Os Guardiões”, em russo), já teve cerca de 2 milhões de visualizações desde o final de março. E está sendo muito comentado na linha do “tão ruim que é ótimo”.

O canal russo TV5, sucessor da Leningrad Television estatal, tomou a iniciativa de digitalizar o filme e disponibilizá-lo em duas partes na internet para comemorar o aniversário de 30 anos das gravações, que eram consideradas perdidas até recentemente.

De baixíssimo orçamento, o filme dirigida por N. Serebryakova não lembra nada os épicos de Peter Jackson, que custaram o equivalente a R$ 1,6 bilhão. Mas a qualidade tosca é que tem alegrado os fãs de Tolkien.

A obra, que parece uma peça de teatro infantil, foi um dos últimos artefatos culturais da União Soviética — que acabaria meses depois de sua exibição. Por isso, Arseny Bulakov, presidente da Sociedade Tolkien de São Petesburgo, disse em entrevista ao New York Times que o filme é um “artefato revelador” de sua era. Ele lembra que, mesmo em tempos difíceis, quando não havia o que comer, fãs de Tolkien se reuniam para discutir suas obras e “reescrever poemas élficos à mão”.

“‘Khranitel’ foi filmado em tempos de pobreza, sem recursos de cenário, com figurino emprestado de conhecidos. Ao mesmo tempo, com grande respeito a Tolkien e amor ao seu trabalho”, descreveu Bulakov.

FONTE: Versão soviética de “O Senhor dos Anéis” vira cult em descoberta no YouTube (msn.com)