quarta-feira, 4 de novembro de 2020

DONA BILICA


 

AS DUAS TRISTEZAS

Há, sim, a tristeza construtiva - aquela que nos impulsiona para a Vida Superior, encaminhando-nos para o trabalho da melhoria íntima, perante a sede de ascensão espiritual. 
Existe, porém, a outra - a tristeza destrutiva - que se traja de luto, por dentro do coração, todos os dias, espalhando desânimo e pessimismo onde passa.
Observa a ti mesmo, a fim de que te imunizes contra semelhante doença da alma. 
Toda vez que comentamos nossos problemas, exagerando-lhes o tamanho ou dramatizando as dificuldades que nos chegam à existência; sempre que tomamos o tempo alheio, a fim de recordar sofrimentos passados que a Providência Divina já mandou apagar, em nosso benefício, com a esponja do tempo; em todas as situações nas quais nos pomos a exaltar os preconceitos próprios, desconsiderando a posição e a experiência dos semelhantes; e, na generalidade dos casos em que nos pusermos a lamentar dissidências e desacordos, contendas e mágoas, estamos afastando de nós mesmos os melhores amigos, através da amargura e do ressentimento que destilamos com as nossas palavras. Naturalmente, cautelosos, esses companheiros preferem distância à partilha indébita de nossas aversões e frustrações, antagonismos e queixas, embora, sempre que generosos e leais, estejam claramente dispostos a apoiar-nos na restauração da própria harmonia. 
Compreendamos que ninguém estima a permanência num espinheiro e nem escolhe vinagre para brindar os laços diletos, e saibamos fornecer bondade e paz, entusiasmo e otimismo aos que se aproximem de nós, porquanto não há quem não necessite de alguém para executar os deveres que a vida lhe preceitue. 
Para isso, nós que sabemos rogar a Deus proteção e bênção, aprendamos igualmente a pedir à Divina Providência nos conceda a precisa coragem para silenciar desapontamentos e lágrimas, de maneira a doar paz e alegria, segurança e consolo aos outros, tanto quanto esperamos esses benefícios dos outros em auxílio a nós. 


Obra: Coragem - Chico Xavier/Emmanuel

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

LUTA ÍNTIMA

"Supondes que vim para dar paz à Terra? Não, eu vo-lo afirmo, antes, divisão."
  - Lucas, cap. 12 - v. 51
 
A luta íntima do homem, pela necessidade de se renovar, há de se acentuar
cada vez mais.
Cada vez mais, a sua consciência haverá de cobrar-lhe atitudes coerentes.
A vinda de Jesus à Terra representa um divisor de águas em nosso mundo interior.
Despertos por suas palavras, não mais lograremos nos acomodar no que somos.
Os alvitres do Mestre em nós jamais emudecerão.
Inevitável, pois, que o conflito se estabeleça.
Sempre nos sentiremos impelidos a fugir à vulgaridade em nossos sentimentos 
e aspirações.
Francisco de Assis dizia que no Dicionário Divino não existe a palavra "basta"...
Isto significa que, por mais nos doemos, mais sentiremos necessidade de nos doar,
até a nossa total entrega.
Quando o homem toma consciência de que é o construtor do próprio destino, não
mais consegue se aquietar.
Viverá sempre aflito pela sua definitiva união com Deus !
O bem-aventurado da aflição é alguém que, serenamente, não cessa de ansiar
pela luz e, à procura dela, caminha à exaustão.
Não se trata de loucura convencional, mas de sublime desassossego. Como
escreveu Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, cap. 1 - v. 18:  "Certamente
a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos
salvos, poder de Deus."
Não esperemos, pois, pela paz, antes de ter alcançado a vitória.

Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A.Baccelli/Inácio Ferreira